Modelo de Intervenção

O modelo de intervenção da Casa de Acolhimento Convívio Jovem assenta numa visão integrada da criança e do jovem, reconhecendo a complexidade das suas histórias e a necessidade de garantir ambientes seguros, previsíveis e emocionalmente reguladores. 

Trabalhamos inspirados numa abordagem ecossistémica, relacional e informada pelo trauma, orientada pelos princípios da Lei de Proteção de Crianças e Jovens, pelo Decreto-Lei n.º 164/2019 e pela Portaria n.º 450/2023.

Uma intervenção centrada na relação e na segurança emocional 

Acreditamos que a relação é o ponto de partida para qualquer mudança significativa. 

A previsibilidade, a presença, a coerência e o vínculo são elementos estruturantes do nosso trabalho. Cada criança/jovem encontra aqui adultos disponíveis, atentos e capazes de promover estabilidade emocional, essencial para reorganizar vivências marcadas por instabilidade ou insegurança.

Criamos rotinas claras, rituais de funcionamento e ambientes positivos que favorecem a autorregulação, a confiança e o sentimento de pertença.

Abordagem informada pelo trauma 

Reconhecemos o impacto que a adversidade, a negligência e as experiências traumáticas têm no desenvolvimento.

Por isso, toda a equipa intervém de forma sensível, ajustada e consciente, evitando práticas que possam reativar sofrimento e promovendo respostas que reforçam sentimentos de controlo, segurança e dignidade. 

A intervenção é construída com base na compreensão do comportamento — não como oposição — mas como forma de expressão do que cada jovem sente e não consegue verbalizar, ou exterioriza de forma desajustada.

Individualização através do Plano Individual de Intervenção (PII) 

Cada criança/jovem tem um PII definido pela equipa técnica, em articulação com a equipa educativa, com a Direção Técnica e com todas as entidades envolvidas., nomeadamente com o seu Gestor de Processo da Segurança Social. 

 O PII integra: 

objetivos definidos com base no diagnóstico 

necessidades emocionais, sociais, escolares e familiares 

estratégias de intervenção 

monitorização contínua 

revisão regular em equipa multidisciplinar 

O PII garante coerência, continuidade e uma resposta personalizada, ajustada ao ritmo e progresso de cada jovem.

Modelo ecossistémico e trabalho em rede 

Nenhuma intervenção acontece isoladamente. 

 Trabalhamos em articulação permanente com: 

família ou figuras de referência 

CPCJ e tribunais 

escolas e centros educativos 

serviços de saúde física e mental 

Segurança Social 

estruturas comunitárias 

Esta articulação permite respostas consistentes, contextualizadas e alinhadas com o percurso de vida de cada criança/jovem.

Valorização da família e manutenção de vínculos 

As relações familiares são elementos essenciais para a identidade e evolução emocional dos jovens. 

Sempre que possível, trabalhamos para preservar, fortalecer e reconstruir vínculos familiares, garantindo visitas, contactos e acompanhamento articulado, de forma segura e orientada.

Ambiente de vivência familiar e integração comunitária 

O nosso modelo privilegia: 

grupos pequenos e estáveis 

dinâmicas semelhantes a um ambiente familiar 

participação em atividades locais e contextos de normalidade 

rotinas que favorecem autonomia e responsabilidade 

A casa é pensada como um espaço estruturado, acolhedor e educativo — um lugar onde se aprende a viver com os outros e a cuidar de si.

Uma equipa especializada que trabalha em conjunto 

A intervenção só é possível através de uma equipa multidisciplinar sólida, coesa e presente. 

Trabalhamos com intencionalidade, reflexão e supervisão, garantindo que cada ação tem um propósito e cada decisão respeita o superior interesse da criança/jovem.

Autonomia, projeto de vida e futuro

Promovemos experiências de aprendizagem e desenvolvimento que visam fortalecer competências pessoais, sociais, emocionais e práticas — desde a gestão escolar até à aquisição de autonomia na vida diária.

Uma intervenção que se renova diariamente 

O nosso modelo não é estático. 

É um processo vivo, que se ajusta às necessidades, ritmos e desafios de cada jovem, sempre guiado pelos princípios: 

segurança 

vínculo 

dignidade 

individualização 

estabilidade 

esperança 

Trabalhamos para que cada jovem encontre a possibilidade de reconstruir a sua história — ao seu tempo, no seu ritmo, com o apoio de uma equipa que acredita nele.

Plano Anual de Atividades

O Plano Anual de Atividades da Casa de Acolhimento Convívio Jovem define, para cada ano, o conjunto de ações, projetos e objetivos que orientam o nosso trabalho com as crianças e jovens acolhidos. 

É um documento essencial para garantir organização, coerência e continuidade, alinhado com o Regulamento Interno, o modelo de intervenção e os princípios da segurança emocional, previsibilidade e participação. 

O Plano resulta de uma reflexão conjunta entre a Direção Técnica, equipa técnica, equipa educativa, integrando também os contributos da comunidade, da escola, da família e dos próprios jovens sempre que possível.

 Objetivos Gerais do Plano 

Promover o bem-estar físico, emocional e social das crianças e jovens. 

Garantir ambientes seguros, afetivos e reguladores. 

Desenvolver competências pessoais, sociais e escolares. 

Reforçar o trabalho em rede e a articulação com as entidades parceiras. 

Favorecer a integração familiar e comunitária. 

Estimular autonomia, responsabilidade e participação ativa. 

Áreas de Intervenção e Plano de Atividades

Saúde e Bem-Estar

Promoção de hábitos saudáveis 

Acompanhamento médico, psicológico e de enfermagem 

Monitorização de medicação 

Atividades de educação para a saúde 

Desenvolvimento emocional e regulação comportamental

Educação, Formação e Projeto Educativo

Articulação com escolas e serviços educativos 

Apoio ao estudo e acompanhamento de dificuldades 

Incentivo à participação escolar e extracurricular 

Ações de orientação vocacional e profissional

Desenvolvimento Pessoal e Social

Atividades que reforçam autoestima, identidade e autonomia 

Treino de competências sociais e comportamentais 

Promoção da responsabilidade e da tomada de decisão 

Dinâmicas de grupo, assembleias e reuniões comunitárias

Família e Comunidade

Manutenção e fortalecimento de vínculos familiares 

Visitas acompanhadas e contactos estruturados 

Ações de integração comunitária 

Participação em eventos locais, culturais e recreativos

Lazer, Cultura e Desporto

Atividades recreativas internas 

Passeios, visitas culturais e atividades ao ar livre 

Dinâmicas desportivas e momentos de convívio 

Celebração de datas festivas e eventos temáticos

Autonomia e Vida Diária

Gestão de tarefas domésticas adequadas à idade 

Desenvolvimento de competências práticas (cozinhar, organizar, gerir tempo) 

Preparação para a vida adulta e treinos de autonomia

Acompanhamento, Avaliação e Melhoria Contínua

O Plano é monitorizado ao longo do ano pela equipa, através de: 

reuniões de equipa técnica e educativa 

registos de acompanhamento 

avaliação das atividades desenvolvidas 

reajustes sempre que necessário